terça-feira, 15 de setembro de 2009

Brasil Futebol Clube


Reitero: o Bota não cai.
Por quê?
Simples: o Náutico não deixa.
Nos 14 jogos que faltam, os pernambucanos vão fazer a sua parte: perder muito e quase não ganhar.
O Bota só precisa perder e empatar quase o mesmo tanto e vencer uma a mais (uma vitória a mais que quase vitória nenhuma é quase nada).
Enquanto isso, na parte de cima da tabela, o sabor do Brasileirão é metade estado de São Paulo, metade o resto.
Nas 10 primeiras posições, esse resto exclui Norte e Nordeste e também o Rio.
O Norte e Nordeste, pela pobreza socioeconômica de sempre; o Rio pela – a princípio lenta, depois aceleradíssima – decadência pós-mudança da capital federal (dá para entender por que o estado fica histérico com a perspectiva de modificação das regras de distribuição dos royalties do petróleo?).
As cinco vagas não paulistas são preenchidas por Goiás, Minas, Santa Catarina e dois do Rio Grande do Sul, todos integrantes do que Milton Santos chamou de Região Concentrada.
Em suma, dá para estudar o Brasil na tabela de classificação do Brasileirão.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Palpite infeliz?


Errei meu palpite e deu empate no Flu x Bota.
Mas mantenho meu prognóstico de que o Flu cai, o Bota não.
O Flu se encaminha para se converter em outro caso de perda de status, semelhante ao que ocorreu com Guarani, Ponte Preta, Portuguesa, América do Rio e outros.
O Brasil de hoje não comporta a imensa quantidade de clubes grandes e médios de outrora.
O jogo, da grana e da gestão profissional, é pesadíssimo e poucos são os capazes de enfrentá-lo.
O Flu vai cair e poderá retornar, mas não no ano seguinte, devendo permanecer na geladeira da segundona por mais de um ano.
Preparem-se, torcedores pó de arroz: seus dias de Ameriquinha estão chegando.

domingo, 13 de setembro de 2009

Fogo no Flu

Me arrependo de não ter estudado Astrologia.
Sim, porque o declínio da seleção argentina de futebol e a ascensão de Rubinho no automobilismo devem ser coisa dos astros.
Já as crises de Flu e Bota são coisa da falta de astros.
Hoje é um ponto de inflexão na vida de um e outro.
Quem ganhar o clássico pode iniciar uma recuperação.
Quem perder não apenas ficará em situação ainda pior na tabela, mas também enviará aos demais e a si próprio a mensagem de que a segundona tem tudo para rolar.
E uma mensagem dessas se transforma em nuvem negra que detona o astral do time por várias rodadas. É portanto profecia autorrealizável.
Vai um palpite aí?
Vitória do Bota, que é um time razoável.
O Flu? Segurem outro palpite: vai para a segundona, ao que tudo indica para ficar.

sábado, 12 de setembro de 2009

Bom demais

Goleada no Sport, no Maraca, é dever de casa.
Graças a Deus, fizemos.
Mas não tenho esperança num renascimento do Mengo a esta altura.
Claro, se se entender por renascimento qualquer meta que não seja a Sul-Americana.
Foi nossa melhor partida?
O problema é a base da comparação.
Saldo bom, para o restante do ano, vai ser o time continuar apresentando um futebol de razoável a bom.
E estamos conversados.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tango

Não sou antiargentino no futebol ou em qualquer outra coisa.
Acho mesmo que, tirante o exagero, tem razão quem diz que uma Copa sem Argentina não é bem uma Copa.
Mas gosto da vida que se inventa.
E, diante de uma Argentina que sempre se classifica, uma outra que claudica e ameaça sucumbir é vida nova.
E vida nova é, pelo menos de certo modo, vida bela.
Gracias a la vida.
Lo siento, hermanos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

À família


Pode ser uma idealização retrospectiva, mas creio que os homens da Seleção de 1970 eram mais homens que meninos.
Não que fossem de todo despidos de senso de hierarquia, ainda mais em pleno vigor da ditadura.
Mas, uma vez em campo, comandavam o time.
Ou seja, os homens de 70 combinavam alta técnica com autocomando, talento com responsabilidade.
Os de agora são os menininhos do professor.
Isso deve ser creditado, ao menos em parte, à maior importância do vigor físico, logo da juventude, no futebol atual.
Mais jovens, portanto mais imaturos, os jogadores de hoje, mais atletas (e mais máquinas, mais estrelas) que os de antigamente, precisam de um comando externo forte.
Dunga tem isso.
Felipão também tinha.
Em 2002, antes do início da Copa, eu disse que o Brasil seria campeão.
A mistura de homens talentosos com comportamento de menino com treinador mandão e vencedor era perfeita.
Os rebeldes ou haviam sido domados ou simplesmente excluídos (vide a não convocação de Romário).
Agora nós temos novamente a obediência, representada pelo talentosíssimo, abnegado e disciplinado Kaká, aliada à linda dura.
Tá tudo certo, ainda mais com a falência argentina.
Vamos ser campeões de novo.
Jade e Davi agradecem.
Eu também: filhos felizes, pai feliz.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Água fria


Quem acredita que o Flu escapa da degola deve também acreditar que o Fla chega ao fim do campeonato entre os quatro primeiros.
Porque a distância que separa o Flu do Náutico, primeiro fora da zona de rebaixamento, é a mesma que separa o Fla do Goiás, último do G-4.
Realisticamente, porém, nenhum desses desfechos é muito crível.
Por outro lado, é bom continuar lutando por alguma coisa, mesmo que pareça impossível.
O subproduto de um eventual entusiasmo do Fla pode ser uma classificação para a Sul-Americana; já o Flu pode, quem sabe, escapar da lanterna mais vergonhosa da história dos pontos corridos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Gosto pra tudo


Lúcido e belo o Inter contra o Avaí.
Acabou a partida com 2 jogadores a menos, 2 gols a mais.
Foi campeão do primeiro, e uma vez somente, no ano passado, o campeão do turno, no sistema de pontos corridos, não ficou com o título.
Do outro lado da tabela, o Flu não conseguiu sucesso sobre o Náutico, seu rival na luta para não cair.
Terá, em 15 jogos, que vencer uma distância de 8 pontos sobre o primeiro time fora da zona de rebaixamento, o próprio Náutico.
Dá gosto – e pena – o Brasileirão.

sábado, 5 de setembro de 2009

Réquiem para Botafogo e Argentina?

Certamente a fatura não está liquidada para o Botafogo, mas ser o antepenúltimo da competição e ainda assim perder para o vice-lanterna é, sem dúvida, prenúncio de catástrofe.
Enquanto isso, o pragmatismo dunguista abate a Argentina mais uma vez (o jogo está no segundo tempo: Brasil 2 x 0 Argentina).
Pelo menos no primeiro tempo, repetiu-se o padrão: a Argentina tem mais volume, é mais voluntariosa e... entrega o jogo tolamente.
Dessa vez, não sei não, los hermanos dungarão.
Como assim?
Ora, faz tempo que um setor da crônica de lá clama pela cópia da filosofia brasileira, que por sua vez copiou a ítalo-germânica.
Tanto se me dá.
Nota triste do jogo, até onde vi, a arbitragenzinha do melhor árbitro sul-americano, o sr. Oscar Ruiz, que deixou o antijogo comer solto e depois começou a distribuir cartões amarelos, numa total falta de critério.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O candidato


Os dois gols de Edu na vitória do Inter sobre o Atlético-MG, ontem no Beira-Rio, não podem, por sua plasticidade, ser chamados de golaços.
Mas também não foram gols fáceis.
E tiveram a marca de Edu: boa técnica e muita disposição.
Foi com esses dois atributos que Edu muitas vezes carregou o Bétis.
O Bétis, porém, é uma mala sem alça, que nenhum jogador, sozinho, consegue carregar.
O Inter é diferente.
Ainda mais porque não tem que rivalizar com nenhum Barça ou Real Madrid.
E pode ser ele o grande candidato a fazer com que o título este ano não fique, mais uma vez, com um paulista.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vitórias na cozinha e na Copa


Um amigo lembrou: nunca derrotamos o Atlético na Baixada.
Mas esse Atlético não mete medo nem nesse nosso Menguinho tão decaído.
Podemos, sim, vencer.
Aí só faltarão 15 jogos.
Porque neste Brasileirão, conto os jogos, doido para o campeonato acabar sem nosso rebaixamento, do mesmo modo que Brás Cubas contou a passagem dos segundos rumo a sua morte: um de menos, um de menos, um de menos.
Quanto ao Brasil e Argentina de sábado, já disse: não torço pelo time da CBF e, pra mim, qualquer resultado tanto faz.
Na Copa, torcerei.
Por quê?
Por causa dos meus filhos.
Jade já não acredita em Papai Noel, mas ainda acha que isso aí é de fato a "SELEÇÃO BRASILEIRA".
E ela e o Davi merecem a emoção de vencer uma Copa.

Não adianta encucar, é relaxar e deixar cair


Cuca no Flu...
Bem, bem.
Renato Gaúcho ficou apenas 12 jogos à frente do Flu.
Foram seis empates, cinco derrotas e somente uma vitória.
Se era para sair tão rápido, por que o contrataram?
O problema é mesmo o técnico?
Ou será que não dá para esperar muito de um time que não conseguiu sequer chegar à final do fraquíssimo Carioca de 2009?
Antes de Renato, estava lá o desconhecido Vinícius Eutrópio que, por sua vez, havia substituído Parreira.
Ou seja, nem o renomadíssimo Parreira conseguiu dar jeito no Flu.
Porque, queridas pessoas, o Flu não tem jeito.
O destino do Flu é o de um time que oscilará entre médio e pequeno.
Sinto muito, tricolores, mas o velho Flu não existe mais.
Provavelmente pra sempre.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Petição ao Pet


Ganhamos!!!
Com isso, confirmamos (a muito custo) nossa condição de nação, acima, portanto, da de mero clube do Rio.
Ao mesmo tempo, os cariocas típicos, Botafogo, Fluminense e Vasco reafirmam sua vocação de times médios.
O Vasco, é verdade, deverá retornar à primeirona (por quanto tempo?).
Não creio que o Botafogo seja rebaixado este ano, embora esteja entre os quatro últimos há muito tempo.
Mas o Flu, quem crê que não?
A oito pontos do primeiro time fora da zona da morte, o Santo André, não parece haver meios de tirar o tricolor do buraco.
Eu continuo rezando, não a favor do Fla, mas contra os outros.
E quem diria que nossa sobrevida seria mais uma vez obra e graça do Pet?
Segura mais essa, amigão, só faltam 16 jogos (arre!).

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Descendo a ladeira...


Botafogo e Cruzeiro empatam e seguem em baixa, diz o UOL.
Sim, porque em campeonato de pontos corridos empatar muito é morrer.
Sobretudo para quem precisa tirar um imenso atraso, como é o caso desses dois.
Um amigo me pediu para que eu falasse bem do Botafogo, aqui no Sparagbol.
Primeiro: não vi o jogo.
Segundo: como falar bem de algum time do Rio, se o menos horrível deles é o meu Mengo, que está caindo tabela abaixo?
Nos 20 últimos brasileiros, 12 foram conquistados por clubes paulistas; somente 5, por cariocas.
Nos 10 últimos brasileiros, 7 foram conquistados por paulistas; somente 1, por carioca.
Ou seja, enquanto a confrontação das duas séries exibe uma melhora de rendimento dos paulistas, de 60% para 70% das conquistas, observa-se a decadência dos cariocas, que se retraíram dos 25% para os 10%.
Em breve, não falaremos mais em grandes do Rio, mas em grandes no Rio.
Porque é só lá que eles falam grosso, com seu futebol grosso.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Soul Flamengo


Profecia consumada: infame Fla-Flu.
Mas que lindo o gol de Denis Marques.
Ele disse que o trocaria pela classificação.
Sei não.
Um gol daqueles germina.
E eu fui picado (de novo!) pelo meu chamengo (por isso chame chame chame chame mengo!)
Ah! Mengo, você é outro, mas somos um.
Na riqueza, na pobreza, na derrota (ai, ai, quantas e quantas...).
Domingo, não importa contra quem (contra tudo, contra nós mesmos?), e sim quando e onde.
Onde estiver, estarei...
De alma.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nada a ver


Hoje tem Fla-Flu.
Clássico flácido, fluido, exangue.
Clássico à margem do bom futebol.
Peladaça.
Um e outro não parecem ter qualquer chance na competição, que, por sinal, não prima pelo bom nível técnico.
Nos últimos anos, tem sido assim: o Fla, inflado pelo título estadual, titubeia no Brasileirão, quase cai e, de quebra, faz feio em competições internacionais.
O Flu, outrora dono do Rio, hoje é mero afluente de poucas águas.
Cheia mesmo está sua torcida.
E o Maracanã, será que enche, hoje à noite?
Só se for de raiva e tédio, os poucos que se arriarem à frente da TV.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Facim", "Facim"


Segundo o UOL, Ronaldinho Gaúcho jogou bem pelo Milan, no último fim de semana.
Ronaldinho Gaúcho perdeu a fúria, a graça, o elã, há mais de quatro anos.
Recomposto, é, de longe, o maior jogador do mundo.
Quem me conhece sabe que não dou mais a mínima para a Seleção.
Mas, se Ronaldinho voltar a jogar como Ronaldinho, sua volta ao time de Dunga é quase certa.
E uma Copa do Mundo com ele é completamente diferente.
Quem sabe eu não acabe torcendo.
Quem sabe.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Prece


Não torço mais pelo Flamengo, não adianta.
Com esse timinho aí, perderemos um jogo após o outro, goleada após goleada.
Como disse o locutor do SporTV, a propósito do jogo de ontem, o Avaí nem precisou fazer uma grande partida para golear o Flamengo.

Minha torcida se concentra nos outros times do campeonato.
Torço para que se abata, pelo menos sobre quatro deles, desgraça sem par.
O Fluminense está bem encaminhado; o Sport também, apesar da vitória de sábado.
Precisamos (pelo amor de Deus!) de mais desafortunados empedernidos.
Mais dois times piores que horríveis.
Do contrário, este ano, nada nos salvará.

domingo, 23 de agosto de 2009

Resíduo sólido

Vi ontem o finzinho de Palmeiras e Inter: 2 a 1 pros verdes, agora azuis.
Tudo o que é sólido etc., disse Marx, todo mundo sabe, no Manifesto Comunista, e a vitória do Palmeiras quase evaporou: o Inter descontou com um golaço e por pouco não empata.
Há alguma coisa sólida neste Brasileiro e no futebol brasileiro de hoje em dia?
Talvez o São Paulo; não o time, o clube.
O analista PVC, que me desagrada em muita coisa, mas está muito longe de ser um tonto, há algum tempo previu: – O São Paulo hegemonizará o futebol brasileiro.
Por quê?
Profissionalismo e estrutura.
No ano passado, PVC apostou no tri são-paulino, quando ninguém apostaria nisso.
E, neste ano, o São Paulo já apareceu, gigante, no retrovisor do líder verde-azul.
Com a maioria dos outros times dando água ou virando fumaça, um tetra do ex-moribundo do Morumbi não é improvável.

sábado, 22 de agosto de 2009

Conversa séria para espantar o medo

Hoje, na Folha, polêmica sobre o calendário brasileiro de futebol.
De um lado, Delair Dumbrosck, presidente em exercício do Flamengo; de outro, Marcelo de Campos Pinto, diretor-executivo da Globo Esportes.
Tendo a concordar com o segundo, que não vê com bons olhos a compatibilização do nosso calendário com o das 5 principais ligas europeias, embora eu deva ficar atento ao fato de que um e outro têm grandes interesses na evolução do debate e em suas consequências práticas.
A transferência massiva de jogadores e de eventuais futuros jogadores para o exterior é somente um dos problemas do nosso futebol. Ela decorre, como todos estão cansados de saber, da fragilidade financeira dos nossos clubes e dos legítimos sonhos de enriquecimento dos nossos atletas e de suas famílias, sonhos esses que proliferam no terreno de poucas oportunidades sociais do nosso país.
Acho, portanto, que o nosso futebol prosperará na medida em que o Brasil prosperar, se isso de fato vier a ocorrer.
Um dos traços dessa prosperidade deverá ser uma gestão mais profissional dos clubes, federações e confederação, combinada com uma melhor fiscalização e a adoção das punições pertinentes a cada caso, por parte do poder público.
Temo, no entanto, que isso nunca ocorra.
Mas este é um blog sobre futebol, não sobre economia ou política.
E devo dizer que meu medo maior é que o meu Flamengo continue a descer a ladeira no Brasileiro.